experimentoteca-maker2

O Movimento Maker está associado à sigla “DIY”- Do-It-Yourself ou “Faça-Você-Mesmo”, apresentando-se como um difusor da ideia de que todos podem por a mão na massa para produzir as mais variadas “coisas”.

No Brasil, nos últimos 5 anos, muitas escolas e também espaços não formais de educação têm criado os chamados “espaços makers”, equipados com ferramentas e materiais variados, permitindo a elaboração de projetos e protótipos, fomentando a criatividade no modelo “mão na massa”.

Neste caminho muitas experiências têm atrelado o fazer dentro das atividades escolares de modo à ressignificar a prática docente e o aprendizado de crianças e jovens, no viés de que é possível aprender por projetos, de maneira que, tutorados pelos seus professores, os estudantes protagonizam suas ideias e colocam a “mão na massa” para engendrá-las, aprendendo na pesquisa e no processo de construção o saber que a escola sistematiza.

A complexa tarefa de ensinar dentro de um sistema escolar que sistematiza os saberes de forma compartimentalizada em disciplinas e grades curriculares, que pouco agrega em suas práticas a integração entre os diferentes conhecimentos de uma forma interdisciplinar, é assim considerado terra fértil para uma abordagem no viés do Movimento Maker, e nesse cerne encontra-se o professor.

A multiplicidade da vida não coaduna com a fragmentação dos saberes pregada pela escola moderna ainda em curso, fruto de um processo de especialização inerente ao acúmulo do conhecimento no processo de desenvolvimento social do nosso tempo. Nas palavras de Gallo:

A realidade do ensino contemporâneo é a compartimentalização do conhecimento, fenômeno constituinte de um todo maior, a especialização do saber.  Nas sociedades antigas, a produção do conhecimento fazia-se em respostas às necessidades de explicação de uma realidade misteriosa que era experimentada no dia-a-dia, espantando os nossos ancestrais e levando-os a formular questões fundamentais em torno do sentido da vida e do universo. As respostas então construídas estavam inseridas naquele contexto social e eram necessariamente globalizantes: misturavam religiosidade, engenhosidade e praticidade (…) É óbvio que a perspectiva da especialização traz-nos inúmeros benefícios e, promovem imensos avanços no conhecimento, mas é preciso que não percamos de vista a necessidade de compreender sempre essas especializações como parte de um todo complexo e inter-relacionado, sob pena de desvirtuarmos o próprio conhecimento adquirido ou construído (2000, p. 21).

O papel do professor é crucial no processo de construção de uma nova cartografia, rompendo com as fronteiras que fragmentam os diferentes saberes, por meio de práticas que a escola já experimentou em diferentes perspectivas pedagógicas, como a interdisciplinaridade, o uso das tecnologias, o protagonismo dos estudantes e a horizontalização da relação professor/aluno. Porém, estas práticas têm ocorrido também de maneira fragmentada e descontínua, de modo a não alterar a concepção moderna de escola.  O Movimento Maker apresenta-se de maneira desafiadora à medida que agrega em sua proposta todas estas perspectivas, quais sejam: a transversalidade e a horizontalidade da relação professor e aluno como princípio pedagógico e o uso de diferentes tecnologias como metodologia do trabalho docente.

Fazendo uso desta perspectiva, é possível vislumbrar novas possibilidades de práticas docentes que possam ressignificar e auxiliar o professor na difícil tarefa de alinhavar os diferentes saberes no processo educativo de seus estudantes, usando como amálgama o Movimento Maker e seu viés baseado na concepção, projeção e desenvolvimento de ideais, por meio do trabalho colaborativo, explorando novos usos da tecnologia no ambiente educacional e principalmente estimulando a criatividade adormecida dos estudantes para um despertar.

A palavra Maker ou fazedores tem ligação direta com a sigla “DIY”- Do-It-Yourself ou “Faça-Você-Mesmo”; o termoDo-It-Yourself é atribuído ao biólogo americano Stuewart Brand que no final dos anos 1960 publicou o material Whole Earth Catalog – WEC Catálogo da Terra Inteira, que disseminava ideias em catálogos no formato de projetos,  ligadas à tecnologia, de forma colaborativa, com o intuito de criar soluções criativas e versáteis para a vida no campo (DIAMANDIS; KOTLER, 2012).

Na atualidade um dos grandes marcos ligados ao Movimento Maker é o lançamento da Make Magazine, no ano de 2005, revista americana que publica ideias de projetos variados ligados diretamente a filosofia do “faça você mesmo” e a feira de exposições desses tipos de projetos denominada Maker Faire ou Feira dos Fazedores, que acontece anualmente em algumas cidades dos Estados Unidos, Inglaterra e também em algumas cidades européias.

Na cidade de São Paulo a Prefeitura Municipal inaugurou no final de 2015 e início do ano de 2016 doze Fab Labs, isto é, Laboratórios de Fabricação, situados nas periferias dessa grande cidade. Estes Fab Labs disponibilizam diversas ferramentas e cursos de orientação, baseados no Movimento Maker, para que a população local possa tirar da cabeça suas ideias e transformá-las com o auxílio de impressoras 3D, fresadoras, cortadoras a laser e muitos outros equipamentos, sem custo algum para quem queira desfrutar desses espaços. Esse tipo de iniciativa concatena-se diretamente com a filosofia do Movimento Maker, que é disponibilizar espaços e ferramentas tecnológicas ou não, para que as pessoas possam fazer seus projetos ganhar vida no mundo físico.

Em meio a essas iniciativas inseridas no Movimento Maker, algumas escolas também têm se apropriado desse viés criando os chamados “espaços makers”, onde os estudantes podem fazer uso de diferentes ferramentas para conceber e desenvolver as mais variadas ideias, rompendo com o modelo sistemático na forma de ensinar do professor e na forma de aprender do aluno.

Há poucas publicações a respeito do Movimento Maker e sua conexão com a vida escolar. Os materiais existentes, como revistas, sites e canais do YouTube, limitam-se a disseminar ideias de projetos que podem ser replicados ou remodelados usando a criatividade, a tecnologia de fácil acesso e materiais de baixo custo. Contudo, o que é possível observar a respeito deste movimento é que ele agrega perspectivas/propostas já existentes na escola, como por exemplo, a perspectiva de projetos, que envolve a pesquisa e certo protagonismo dos estudantes, tendo como mote uma horizontalidade no processo de ensino e aprendizagem, agregado ao uso de tecnologias no ambiente educacional.

Estas perspectivas/propostas já existentes na escola, não necessariamente atuam de forma colaborativa, e este é o diferencial desafiador da proposta trazida pelo Movimento Maker. Assim, por meio desta leitura é que propomos aqui fazer uso Movimento Maker como um amarril de diferentes práticas educativas já vividas na escola, porém de forma fragmentada e descontextualizada.

Profo Sergio Daniel Ferreira
Experimentoteca Maker – CDCC/São Carlos – SP
https://www.facebook.com/Experimentoteca-Maker-511031022400339/